Doença do Carrapato

Todo cuidado é pouco: casos da doença aumentam no verão.

A doença do carrapato é bastante comum nos consultórios veterinários. Apesar de ser potencialmente grave e de não haver ainda nenhuma vacina que a evite, ela tem cura e o animal pode ter uma vida normal e sem sequelas após o tratamento. Existem dois tipos de doença do carrapato, a Erliquiose e a Babesiose. A diferença entre elas é o agente do problema: a primeira é causada por uma bactéria e, a segunda, por um protozoário. Além disso, a Babesiose infecta e destrói os glóbulos vermelhos e a Erliquiose destrói os glóbulos brancos do sangue. A transmissão de ambas acontece quando o carrapato – que é o vetor – pica um cão doente, se contamina e então pica um animal sadio, difundindo a doença.

Sinais clínicos

A Erliquiose pode ter 3 fases: aguda, subclínica e crônica. Na fase aguda, que é o início da infecção e que pode durar até 1 mês, o cão pode apresentar febre acima de 39,5ºC, apatia, falta de apetite e perda de peso. Hemorragia pelo nariz e urina também ocorrem nessa fase, embora sejam menos comuns. A fase subclínica, em geral, não tem sintomas e a fase crônica, que acontece quando o animal não consegue eliminar a bactéria, tem os mesmos sintomas da fase aguda, porém mais leves. Na Babesiose, o carrapato libera os protozoários na corrente sanguínea do animal, fazendo que eles rompam os glóbulos vermelhos durante sua proliferação. Os principais sintomas da doença são: perda de apetite, apatia, anemia, aumento do baço, icterícia (pele e olhos amarelados) e urina escura, com tom amarronzado.

Diagnóstico

A doença do carrapato tem sintomas semelhantes à várias outras enfermidades. Por isso, o diagnóstico é feito através de exame clínico, da observação da presença de carrapatos no animal e no ambiente, e de exame de sangue. De forma geral, pouca quantidade de plaquetas – abaixo 180.000 / mm³ – é um forte indício da presença da doença. Para sabermos se se trata de Erliquiose ou Babesiose, solicitamos um exame chamado PCR – Pesquisa de Bactéria Agente.

Tratamento

A Erliquiose é tratada com antibióticos, e o de escolha é a doxiciclina. Ele deve ser ministrado diariamente – em dosagem que varia de acordo com o peso do animal – e a duração do tratamento é de, em média, 30 dias. Ao fim desse período, o exame de sangue deve ser repetido. No caso da Babesiose, o tratamento inclui o uso de piroplasmicidas e o manejo terapêutico das complicações da doença. Em ambas as situações, é muito importante que o animal receba um bom suporte nutricional, com ração de alta qualidade.

Controle ambiental

Os carrapatos encontram no verão as condições ideais de reprodução. Por isso, o controle ambiental deve ser intenso! O uso de desinfetantes, especialmente nos locais onde o animal fica, é indispensável, assim como manter jardins limpos, com a grama bem aparada. Se há uma grande infestação do parasita no ambiente, uma dedetização pode ser necessária. Nesse caso, o animal deve ser retirado do ambiente e devem ser usados produtos que não ofereçam risco de intoxicação posterior.

Faça uma “vistoria”

Como um único passeio é suficiente para que um carrapato suba no animal, é muito importante observar, diariamente, a região das orelhas, nuca, pescoço e entre os dedos. Essas áreas são as preferidas dos parasitas porque têm a pele mais finas e possuem grande fluxo sanguíneo. O uso de produtos tópicos ou coleiras antiparasitárias é imprescindível para evitar os carrapatos, e o tempo de vida útil desses produtos deve ser sempre observado.

O que fazer ao encontrar um carrapato no animal?

O carrapato só deve ser arrancado com uma pinça, depois de aplicar um pouco de vaselina no local. Então, deve-se torcer lateralmente o carrapato e retirá-lo sem puxar.
Caso contrário, podem ficar “pedaços” do parasita no corpo do animal. Depois de retirado, ele deve ser descartado no vaso sanitário ou em um recipiente com álcool e as mãos devem ser bem lavadas. Aconselho ainda que na região da pele do animal onde ele estava instalado seja aplicado um antisséptico.

A transmissão acontece quando o carrapato – que é o vetor – pica um cão doente, se contamina e então pica um animal sadio, difundindo a doença.

O uso de produtos tópicos ou coleiras antiparasitárias é imprescindível para evitar os carrapatos e o tempo de vida útil desses produtos deve ser sempre observado.

Você sabia?

  • Os carrapatos medem entre 0,35 e 1,5 centímetros
  • Durante a vida adulta, uma fêmea – que é bem maior do que o macho – pode colocar até 4 mil ovos
  • Os ovos podem sobreviver no ambiente por até 3 anos
  • No Brasil, as espécies mais comuns de carrapato são Rhipicephalus sanguineus, Dermacentor reticulatus, Ixodes ricinus e Ixodes hexagonus
  • O carrapato também pode infectar bois, cavalos, galinhas e até o ser humano. Em pessoas, a doença se chama Febre Maculosa e é considerada grave
  • Alguns tipos de carrapato podem viver até 12 anos!

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