Seguimos aqui com o segundo post de um total de quatro: displasia coxofemoral em cães como diagnosticar e tratar?
Diagnóstico da displasia
Para a realização do diagnóstico, utiliza-se o exame Radiográfico (Raios-X), sendo este um método seguro diante de alguns cuidados. As articulações coxofemorais de cães que eventualmente desenvolvem displasia são estrutural e funcionalmente normais ao nascimento. O diagnóstico radiográfico pode ser feito, inicialmente, entre seis e nove meses de idade, dependendo da gravidade do caso. Porém a indicação mais segura é que seja feita com 12 meses de idade em cães pequenos e 18 meses para cães de grande porte, devido justamente ao processo de crescimento dos cães, especialmente antes do fechamento das placas epifisárias (são locais onde existe um espaço para que a cartilagem do filhote possa crescer e se calcificar formando osso), podendo, antes dessa idade, dar um resultado incorreto (falso negativo).
De acordo com as Normas do Colégio Brasileiro de Radiologia Veterinária, o diagnóstico definitivo só pode ser tido com 24 meses de vida do animal.
Para o melhor resultado do exame, o cão deverá estar em jejum por 8 horas. Ele receberá um sedativo para relaxar a musculatura, objetivando-se obter o melhor posicionamento técnico para a melhor imagem possível. Não é recomendado para gestantes, pois seus filhotes podem ser prejudicados e nem para cadelas que pariram há menos de 30 dias, pois sua ossatura ainda não voltou ao normal.
Na compra do cão das raças predispostas a terem a displasia coxo-femural, deve ser verificado os laudos de pais e avós e algumas gerações anteriores do animal que tenham resultado negativo para a displasia. Exija exames de displasia negativa para os pais do filhote.
Porém, devido à genética, mesmo com laudos de pais e avós e os avanços feitos, existe uma probabilidade pequena de que o filhote adquirido possa ser portador da displasia. 
Graus da displasia coxo-femural
Após o exame radiográfico, algumas técnicas auxiliares são utilizadas na avaliação radiográfica, como a técnica de Norberg que se vale de uma escala e de angulações para resultado da DCF mediante classificações que são divididas em 5 categorias de acordo com as características encontradas:
Grau A: Articulações coxofemorais normais: a cabeça femural e o acetábulo são congruentes. Angulação acetabular, segundo Norberg de, aproximadamente, 105º.
Grau B: Articulações coxofemorais próximas da normalidade: a cabeça femural e o acetábulo são ligeiramente incongruentes e angulação acetabular, de acordo com Norberg, de, aproximadamente, 105º.
Grau C: Displasia coxofemural leve: a cabeça femural e o acetábulo são incongruentes. Angulação acetabular, é de aproximadamente 100º.
Grau D: Displasia coxofemural moderada: a incongruência entre a cabeça femural e o acetábulo é evidente, com sinais de subluxação. Angulação acetabular, segundo Norberg, é de aproximadamente 95º.
Grau E: Displasia coxofemural grave: há evidentes alterações displásicas da articulação coxofemural, com sinais de luxação ou distinta subluxação. O ângulo de é menor que 90º. Há evidente achatamento da borda acetabular cranial, deformação da cabeça femural ou outros sinais de osteoartrose.
Tratamento da displasia coxofemoral – Como podemos tratar um cachorro displásico?
Os tratamentos podem ser medicamentosos ou cirúrgicos dependendo da gravidade da doença. São usados anti-inflamatórios associados aos condroprotetores. Além de terapias alternativas como a acupuntura para o controle da dor.
As opções de tratamento para cães displásicos, muitas vezes, dependem da idade do cão, tamanho, a progressão e do tipo de displasia (se é prematura ou tardia). A gravidade da frouxidão articular também vai contribuir para a possibilidade de optar pela cirurgia ou optar por um tratamento medicamentoso.
A terapia para minimizar os sintomas e controlar a evolução da displasia inclui além de medicação e fisioterapia e acupuntura, a hidroterapia que é um ótimo exercício de baixo impacto para fortalecer a musculatura em cães com displasia coxofemoral.
O controle do peso também será um aliado importantíssimo no tratamento de cães afetados pela displasia pois a manutenção do peso ajuda na a recuperação, uma vez que diminui a pressão que é aplicada na região, reduz a inflamação.
Em caso de filhotes, dietas especiais, concebidas para raças de cães com rápido crescimento nem sempre são apropriadas para diminuir a gravidade da displasia coxofemoral, portanto é importante conversar longamente com seu veterinário a respeito. Estas rações prometem ajudar os ossos e músculos dos filhotes que crescem com uma velocidade adequada para o bom desenvolvimento, mas nem sempre os resultados destas rações são satisfatórios.
Massagem, fisioterapia e exercícios de baixo impacto que envolvam a construção e manutenção muscular são altamente recomendados. Alguns exemplos destes exercícios incluem caminhadas em terreno apropriado e especialmente, natação (incluindo hidroterapia). Atividades como saltar , jogar bola ou frisbee, que colocam uma pressão adicional sobre a articulação, devem ser evitadas.
Para osteoartrite e artrite degenerativa, medicamentos chamados glicosaminoglicanos polissulfatados ou PSGAGs podem ser prescritos. Estes medicamentos são componentes da cartilagem articular e aumentam a produção destes componentes articulares naturalmente. Recomenda-se manter o cachorro que apresenta artrite, sempre aquecido e fora de ambientes frios, úmidos e correntes de ar, para que ele não sinta dor. Cães com problemas de artrite precisam ter um lugar confortável para deitar, como caminhas, colchões ou tapetes.
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Displasia Coxofemoral em cães – Tratamentos cirúrgicos
Existem várias formas de cirurgia que são utilizadas para o tratamento de displasia coxofemoral em cães. Seu veterinário irá fazer recomendações com base na idade e condição de seu animal. Em caso de cirurgia a técnica mais usada é a artroplastia excisional de cabeça e colo femoral, a conhecida colocefalectomia e atualmente surgiram técnicas mais modernas como a colocação de prótese total de cabeça e colo femoral e acetábulo além da cirurgia de sinfisiodese púbica juvenil, para cães jovens de até no máximo 6 meses de idade.
A cirurgia juvenil (JPS ) – é realizada em cães mais novos de seis meses de idade. A idade ideal para JPS é de 4 meses. A cirurgia envolve a fusão de parte da pélvis para melhorar a estabilidade da articulação do quadril. Filhotes devem ser castrados no momento da JPS para evitar procriação antiética. A JPS é muito menos invasiva e dispendiosa de que a cirurgia de osteotomia pélvica tripla.
Osteotomia pélvica tripla ou tripla osteotomia pélvica – é uma reconstrução de estabilização da articulação do quadril. É geralmente realizada em cães jovens (com menos de um ano de idade ), com fraca cobertura da cabeça femoral. Ela ajuda a conter a subluxação e lassidão que levam à artrite severa. Se houver sinais precoces da doença articular degenerativa (DAD) do quadril, é discutível se a osteotomia pélvica tripla é uma boa opção. A osteotomia pélvica tripla é geralmente reservada para cães com subluxação, mas por outro lado com bons quadris. Quando são necessárias cirurgias bilaterais, a maioria dos cirurgiões solicitará de um a dois meses de intervalo entre as intervenções cirúrgicas.
Ostectomia da cabeça femoral – substituição de quadril – é uma cirurgia tipo “resgate” feita geralmente em cães maduros que não estão respondendo bem à terapia de manutenção e que sofrem de osteoartrite grave. A maioria dos cães terá recomendação para este tipo de cirurgia, que tem a função de aliviar a dor do quadril após o período de recuperação. Esta cirurgia envolve a remoção da cabeça do fêmur, e sutura da cápsula articular. Recomenda-se que o animal esteja com um peso adequado antes da cirurgia, não é recomendada para cães com excesso de peso. A terapia física irá ser necessária após a operação. A recomendação desta cirurgia é principalmente para raças de pequeno e médio porte que irão se dar muito bem após a cirurgia. Os cães maiores tem um resultado mais imprevisível, mas geralmente suas vidas também tornam-sem ais confortáveis.
Substituição total do quadril – Artoplasia Coxofelural Total (ACT) – consiste em substituir a articulação coxofemoral por uma cúpula acetabular e por um componente femoral com cabeça, colo e haste femoral. Este procedimento é considerado como a melhor opção cirúrgica (95% de sucesso) em cães de raças gigantes clinicamente afetados e com osteoartrite avançada.
Em essência, o implante de THR (Total hip replacement) fornece ao cão um quadril artificial que mesmo que não traga a estrutura anatômica normal, a ACT restabelece os mecanismos articulares e preserva a função do membro sem dor.
Artroplastia de quadril – é realizada quando a cirurgia de substituição do quadril tem custo proibitivo. Nesta cirurgia a esfera de articulação do quadril é retirada deixando os músculos atuarem como juntas. Esta cirurgia funciona melhor para cães com peso inferior a 44 kg, e para cães com boa musculatura do quadril.
Como com qualquer procedimento cirúrgico, as complicações podem surgir envolvendo algum grau de risco. Estes podem incluir infecções, luxações, fraturas do fêmur, o afrouxamento dos implantes e danos nos nervos. No entanto, em geral, estas complicações ocorrem em um baixo percentual dos casos.
Este texto é informativo e queremos proporcionar informações que possam lhe ajudar, mas lembre-se que é sempre importante e imprescindível obter a orientação do médico veterinário!
Fonte de pesquisa: tudosobrecachorro.com.br out/2014 e blogdocachorro.com.br jan/2014
Referências:
COUTO, N. Manual de Medicina Interna de Pequenos Animais. 2ª Ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006.
ROCHA, F. P. C. S., et al. Displasia Coxofemoral em Cães. Revista Científica Eletrônica de Medicina Veterinária. Garça, n.11, 2008.
